Capítulo VII
Parecia que toda a confusão com Rurik de manhã não havia acontecido, isso nem me preocupava mais; eu estava muito feliz para isso, ter voltado com o Pietro me renovou minhas forças, não ia ser um cara lindo e desequilibrado que ia acabar com isso. Tudo bem que ter voltado com o Pietro não era a palavra certa, mas isto era só uma questão de tempo e pelo jeito só dependia de mim.
Passei bem o resto do dia, e dormi como um anjinho durante a noite.
No Domingo, acordei mais cedo que o normal e fui para casa de Bianca.
Assim que ela abriu a porta, já foi me informando:
- Já sei de tudo, Pietro me contou ontem. Rurik sempre me deu medo mesmo.
- Oi para você também. - falei com sarcasmo.
E entrei no apartamento.
Pietro que estava sentado no sofá e imediatamente levantou, veio em minha direção.
Ele me abraçou forte, e isso me deixou um pouco constrangida, porque os pais dele estavam na sala.
Pietro sussurrou em meu ouvido, durante o abraço:
- Porque você veio sozinha? Era pra você ter me ligado que eu iria lá embaixo de buscar, vai que o Rurik tivesse no corredor te esperando.
Eu não respondi. Quando ele me soltou, falei com os pais deles:
- Oi tia. Oi tio. – eu chamava Dona Beatriz e Seu Paulo assim.
- Oi minha nora preferida. – D. Beatriz levantou e veio me dar um abraço gentil. Tio Paulo, me deu um aceno de cabeça de longe, ele estava no telefone.
- Como assim nora preferida? Não tem outra. – Pietro informou.
Eu fiquei vermelha de vergonha, não sabia o que falar.
- June, eu to muito feliz de você ter voltado com o Pietro, esse menino estava insuportável desde que vocês se separam... – Tia Beatriz me contava.
- Ah! Eu nem sabia que nós tínhamos voltado. – falei sem graça.
- June, por favor não abandona o meu filhinho, ele precisa tanto de você – Tia Beatriz foi até Pietro e abraçou o filho por trás e ficou o balançando de um lado para outro. Pietro tentava se desvencilhar, mas a mãe não deixava.
Eu e Bianca começamos a rir.
- Chega não é mãe? – Pietro disse se libertando dos abraços da mãe.
- Ele fica com vergonha de você June, mas ele adora fica agarradinho com a mamãe.
Bianca soltou uma gargalhada e disse:
- Isso é verdade.
Eu ri também. Pietro ficou com vergonha, ele me puxou pelo braço e me arrastou pro seu quarto. Lá ele começou a me abraçar.
- Para Pietro. PARA!
Ele parou.
E eu continuei:
- Vamos voltar para a sala. O que os teus pais vão pensar?
- Eles não ligam, e outra coisa a gente não esta fazendo nada demais, a não ser que você queira, quer? – ele deu aquele sorrisinho malicioso.
- Claro que não! Você é um imbecil. – falei.
E fui até a direção da porta, Pietro me segurou pela mão.
- Fica aqui. Eu não vou tentar nada, nem te beijar, eu juro.
Eu me rendi e fiquei. E era o que eu realmente queria. Nós ficamos abraçados o tempo todo e o tempo parecia ter parado. Eu me perguntava como eu pude ficar tanto tempo longe dele.
- Eu não sei como eu consegui ficar tanto tempo longe de você. – Pietro disse, lendo meus pensamentos. – Só quando eu te vi junto do Rurik que eu percebi que eu podia realmente te perder.
Eu simplesmente sorri para ele, e fiquei encarando seus olhos.
Pietro cheirou meu cabelo.
- Estava com saudade do teu cheiro. – Pietro disse, e beijou o meu pescoço. Eu me arrepiei.
Ele sorriu pra mim.
-June, eu te... – mas Pietro foi interrompido. Seus pais gritaram da sala que já estavam saindo, a despedida foi acompanhada de um “ Juízo vocês dois! “
Logo depois que ouvimos a porta bater, Bianca apareceu no quarto.
- Sinto muito, mas vou ficar de vela mesmo. – nos informou.
- Cadê teu namorado? Nessas horas é que pra você ta com ele. – Pietro reclamou.
Bianca fez uma careta pra ele.
Pietro sentou na cama e eu sentei entre suas pernas e ele me abraçou pelas costas.
Contei a Bianca que eu não sabia o que havia acontecido com Alexandre, que fazia dias que ele não aparecia no colégio, mas depois me arrependi. Bianca ficou realmente preocupada, ela também me disse que ele não atendia o celular.
Então alguma coisa deve ter realmente acontecido porque ele estava louco para que Bianca ligasse pra ele, não fazer sentido ele não atender.
Passei o domingo inteiro na casa da Bianca, a ajudei a fazer o almoço enquanto Pietro sentado à mesa não fazia nada a não ser me olhar, isso me constrangeu um pouco, eu queria que ele tirasse aquele par de olhos de mim.
- Pietro vem me ajudar. – mandei. Ele imediatamente levantou e veio para mim, ele me abraçou por trás de novo e ficou beijando meu pescoço.
- Definitivamente esta insuportável ficar perto de você dois. – Bianca reclamou.
- Então sai. Ninguém de quer aqui.- Pietro retrucou.
- A June quer, não é? – Bianca recorreu a mim.
Eu somente ri.
Pietro caiu na gargalhada.
- Ta ai, ela não te quer. – ele desafiou a irmã.
- Fiquem vocês sabendo que eu não to aqui por vontade própria, se eu soubesse o que aconteceu com o Alexandre. Eu já teria sumido com ele- Bianca se irritou.
- Nós estamos brincando Bia. – informei, enquanto desligava o fogo.
- Eu não estou. – Pietro se apressou em dizer.
O resto do dia passou assim, Pietro fazendo de tudo para ficar sozinho comigo, e Bianca suportando como podia suas piadinhas, ele basicamente fingia que o irmão não existia e só conversava comigo. Eu amo a Bia, ela é minha melhor amiga, porém confesso que eu queria ficar sozinha com Pietro. Mas eu sabia porque ela realmente não ia embora, ela tinha medo que eu e o Pietro “ficássemos realmente juntos”, apesar dela aprovar desde sempre nosso namoro, Bianca já me confessara que ela abominava a idéia de sua melhor amiga ter relações com o seu irmão, mesmo sabendo que nós já tínhamos essa experiência. Ela tinha ciúme do irmão.
Quando o relógio marcou noves horas da noite, Pietro me acompanhou a porta de meu apartamento, nem sinal de Rurik. Pietro se despediu de mim com um beijo no canto da boca e foi embora.
Já em casa, fiquei um tempo com minha irmã. Ela me perguntou se eu tinha voltado com Pietro.
- Mais ou menos. – respondi.
- Ah!- ela lamentou. – Volta com ele June, eu gosto dos presentes que ele me da.
Eu sorri para ela. Apesar de não sermos tão próximas eu amava minha irmã, ela era a única da minha família que realmente se preocupava comigo.
- Vou pensar no seu caso Julídia.
- Ele é melhor que o bonitão ai do lado. - ela afirmou. E eu concordei com a cabeça.
Julídia continuou:
- June eu vi aquela sua meia-calça azul rasgada. E não era aqueles rasgos de meia quando desfia, era como se alguém tivesse rasgado mesmo.
Minha irmã era muito mais observadora que eu imaginava. Mas eu não iria meter ela nessa historia, afinal ela só tem onze anos.
- Foi que me deu um ataque de raiva, por causa do Pietro e eu rasguei. – menti, mas como isso já havia acontecido esperei que ela acreditasse.
- Ah sim! – ela respondeu pensativa. Acho que não a convenci.
- Julídia já estou com sono. Vou dormi. – anunciei.
Fui até ela e lhe dei um beijo na testa.
- Boa noite June!
- Boa Noite! – respondi. E sai de seu quarto.
Com sono fui direto para o meu. Deitei na cama e logo dormi.